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Narrativas do espírito Daddy [A Heretic in Heaven, 1926]

165 Visualizações, Iniciado por Ram, 31 de Dezembro de 2025

Ram

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Narrativas do espírito Daddy no Céu
[A Heretic in Heaven, 1926]

Descobri essa raridade espírita graças ao livro A crise da morte, de Ernesto Bozzano, que tem citações das mensagens do espírito Daddy (Papai, um apelido familiar). Foi difícil encontrar algo tão antigo e sem reedições. Acabei achando no site inglês Abe Books.

Parece que A Heretic in Heaven (Um herege no Céu) nunca foi publicado em qualquer outro idioma.
Incrível é que nunca tenha sido publicado no Brasil – cuja população simpatiza com essas coisas do Além.




Citação

A Heretic in Heaven [Um herege no Céu]
Inglaterra, 1926

"Introdução

"Vemos apenas metade das causas de nossos atos,
Buscando-as inteiramente na vida exterior
E desatentos ao mundo espiritual que nos cerca,
Que, embora invisível, é sentido e semeia em nós
Todos os germes de propósitos puros e universais."

Lowell



"Este pequeno livro vem do "outro lado". Foi ditado por "Daddy" à minha esposa, através da minha mediunidade, enquanto estava sob o que é conhecido como controle espiritual.

"Talvez haja pouco em suas páginas de natureza probatória, embora o leitor que teve o privilégio de conhecer "Daddy" na Terra provavelmente detectará muitas pequenas confirmações de sua autenticidade. Sua originalidade de estilo, com seus ocasionais lampejos de humor, sua força de expressão e sua inegável sinceridade, são abundantemente evidenciadas neste pequeno registro.

"Daddy" era uma grande alma. Destacava-se por sua bondade; seu sólido senso comum; seu ódio à hipocrisia e à falsidade. Ele tinha um coração generoso e era um amigo leal e fiel. Sentimos sua falta quando ele partiu, mas nos encontraremos novamente.

"Agora – "ele, mesmo morto, ainda fala".

Ernest H. Peckham



Uma Oração

"Ó Aurora, Brilho da Luz Eterna e Sol da Justiça; vem e ilumina aqueles que estão assentados nas trevas e na sombra da morte." Amém.


Capítulo 1

"Estou morto. Completamente morto. Morto para o tempo, morto para os sentidos, morto para a matéria. Morto para todos aqueles instintos animais que, para ter sucesso na vida, preciso refrear e controlar. Morto para todas aquelas limitações restritivas e confinantes que caracterizam a vida terrena. Mas vivo – maravilhosamente vivo – na vida que realmente importa. Numa vida onde nada pode deter a verdadeira expansão da alma; onde é impossível impor limites às suas realizações; numa vida que é vida de fato. Sim, caro leitor, embora morto, estou muito vivo, e posso afirmar com toda a sinceridade, por experiência própria, que um homem só começa a viver quando morre.

"Sou chamado pelo carinhoso nome de Daddy. Esse apelido eufônico me foi dado enquanto ainda estava na Terra, e o conservo aqui no Céu ou – bem, no estado em que me encontro. Mas qualquer que seja a denominação necessária para descrever corretamente a condição, o estado ou o local onde me encontro agora, é em todos os aspectos vastamente superior a qualquer coisa que eu tenha conhecido na Terra, então chame-o como quiser. 

"Agora, caro leitor, você talvez se pergunte por que não acho conveniente revelar minha verdadeira identidade. Bem, isso é conhecido e foi comprovado sem sombra de dúvida por muitos queridos amigos ainda vivos, mas por certas razões familiares, não é desejável proclamá-lo publicamente. Acontece que alguns dos meus parentes, "osso do meu osso, carne da minha carne", ainda vivos na Terra, estão tristemente afligidos pelo vírus da ortodoxia, e confessar que sou o autor deste pequeno tratado os angustiaria imensamente. Naturalmente, como guardo grande afeto por eles, reluto em fazer qualquer coisa que os entristeça ou perturbe. É claro que eles não aceitariam este relato como genuíno, diriam que é obra do diabo. Imagine me chamarem de Satanás! Bem, quem quer que eu seja, eles são meus parentes. De qualquer forma, como evito causar dor àqueles que amo, é melhor manter o anonimato.

"É importante mencionar aqui que, infelizmente, minha trajetória de vida foi prejudicada pela falta de uma educação adequada e suficiente. Fui lançado ao mundo muito cedo para ganhar meu próprio sustento e, trabalhando muitas horas, não tive a oportunidade de estudar o necessário. Embora, talvez, para ser sincero, eu deva confessar que poderia ter feito algo para remediar essa deficiência, já que havia algumas escolas noturnas na região. Mas, após um árduo e longo dia de trabalho, receio que não tivesse a perseverança necessária para ocupar meu escasso tempo livre com estudos.

"Eu era apenas um jovem, no entanto, e me faltava uma mão orientadora, então, por favor, sejam generosos em seu julgamento sobre mim. Mais tarde na vida, li muito; livros sobre filosofia, religião, ciência e assim por diante, e, felizmente, tornei-me observador e reflexivo.

"Gostaria de notar, de passagem, que considero uma grande falha no atual sistema de educação dos jovens o fato de se dar muita ênfase em encher suas cabecinhas com todo tipo de conhecimento e pouca em ensiná-las a observar e refletir.

"Agora aqui no Céu – ou onde quer que eu esteja – existe um excelente sistema educacional em funcionamento para ensinar e educar os jovens, com grande ênfase e importância no cultivo das capacidades de observação e no incentivo à reflexão. Essas instituições de ensino são um modelo que a Terra faria bem em copiar. Não há mensalidades escolares a pagar, e a educação é reconhecida como um direito inerente da criança. Sua inclinação natural é estudada e ela é treinada de acordo. Não há escassez de professores dispostos e competentes, nem as turmas sofrem com o excesso de alunos, como acontece na Terra. Aliás, conheci casos em que, em vez de vinte alunos para um professor, havia vinte professores para um aluno. Agora, vocês, entusiastas da educação na Terra, o que têm a dizer sobre isso? E vocês, clérigos? O que sabem dessas coisas? Suas mentes rígidas são impermeáveis ao ensino sobre a expansão e o crescimento naturais da mente infantil na vida após a morte. Vocês não têm juízo nesse assunto. Tudo o que vocês têm para consolar um pai enlutado são clichês banais como:

"Ao redor do trono de Deus no Céu,
milhares de crianças estão,
cantando 'Glória, Glória, Glória',
cantando 'Glória, Glória, Glória'".

"E pensar que vocês poderiam – se apenas abrissem suas mentes preconceituosas – conhecer toda a gloriosa verdade dessas coisas.

"Muitos anos antes de falecer, interessei-me pelo Espiritualismo e converti-me a ele. Gostaria de acrescentar que foi em grande parte por minha influência e intermédio que meu querido amigo, por meio de quem estou ditando este livro, se converteu ao movimento. Tivemos bons momentos juntos em nossa busca pela verdade e ouso dizer que, no que diz respeito à chamada "vida após a morte", nós a encontramos.

"Eu era muitos anos mais velho que ele e me considerava seu "pai na fé", assim como o apóstolo Paulo considerava Timóteo seu filho na fé cristã. E aqui, permitam-me registrar minha grande admiração por Paulo, o apóstolo. Ele tinha uma alma grande demais para ser aprisionada por credos, doutrinas, dogmas antigos e ideias religiosas da época. Ele tomou as rédeas de sua alma e corajosamente partiu sozinho em sua jornada espiritual. Suas descobertas e experiências no estupendo reino do espírito foram extraordinárias. Eu o amo por sua ousadia na fé, por sua magnífica confiança em si mesmo na aventura espiritual, e adorei ler o grande poema de Myers sobre ele, o maior de todos os Apóstolos. Que exemplo ele dá aos líderes religiosos de hoje, que estão todos presos, enredados e acorrentados por dogmas obsoletos, credos ultrapassados e insustentáveis e ideias religiosas medievais.

"Por que, em nome da verdade, da honestidade, de Deus, eles não podem emular aquele gênio Paulo na busca pela verdade espiritual, e se firmar por conta própria, acrescentando suas próprias experiências e descobertas no reino do espírito ao que já é conhecido?

"Os mortais temerosos são os líderes da humanidade na fé cristã. Ora, embora eu sempre tenha sido, e ainda seja, um crítico implacável do clero, gostaria de confessar que tenho um carinho especial por eles. E por esta razão. Como classe, eles – e somente eles – sempre defenderam três verdades estupendas e fundamentais: Deus, um mundo espiritual e a ressurreição dos mortos. É difícil conceber o que teria sido a querida Inglaterra sem o testemunho deles dessas verdades eternas. Num mundo de materialismo grosseiro, com seu gêmeo – ou melhor, talvez maior mal – o intelectualismo rudimentar, eles, como classe, proclamaram a supremacia do espiritual e a realidade do invisível. Mas são seus conceitos e ensinamentos sobre esses temas estupendos, bem como suas mentes estagnadas e fechadas, que me levam à discórdia.

Continua...


Frum Patrcia